Desde meados de julho a meados de outubro, um «convidado» quase invisível semeia o pânico nas casas, colónias de férias e parques de campismo da Île-de-France: o ácaro da colheita (Trombicula autumnalis), um ácaro minúsculo cuja forma larvar é a única que pica. Conhecidos como «rougets» no sudoeste de França, «vendangeurs» (vindimadores) em Bordéus e na Borgonha, «pulgas da erva» ou simplesmente «trombículas», estas larvas cor de laranja vivo de 0,2 a 0,4 mm são responsáveis pela maioria dos aglomerados de borbulhas vermelhas nos tornozelos, barrigas das pernas, cintura e parte inferior das costas que invadem os consultórios de dermatologia e as farmácias todos os verões. Com o verão de 2026 a anunciar-se quente e tempestuoso — condições ótimas para a espécie — e um pico previsto entre o final de agosto e meados de setembro, urge antecipar: reconhecer uma picada de trombícula, acalmar a comichão profunda sem coçar, e adotar os bons reflexos antes de cada passeio pela floresta ou sessão de jardinagem.
A reter: ao contrário da carraça, as trombículas não transmitem qualquer doença em França metropolitana. O principal perigo é a sobreinfeção bacteriana por coçadura, que pode levar a um impetigo ou a uma erisipela se a ferida não for tratada corretamente.
O que é exatamente uma trombícula?
A trombícula não é um inseto, mas sim um ácaro aracnídeo da família Trombiculidae. O seu ciclo de vida divide-se em quatro estádios: ovo → larva (única forma que pica) → ninfa → adulto. A larva mede 0,2–0,4 mm — invisível a olho nu — e reconhece-se sobretudo pela sua cor vermelho-alaranjada viva uma vez cheia. Vive na folhada de ervas altas, musgos, bordaduras de canteiros, prados e clareiras soalheiras. Os adultos, inofensivos, vivem no solo, alimentando-se de matéria orgânica e ovos de insetos.
A larva sobe pela vegetação baixa (até 20–30 cm do solo) e espera por um hospedeiro de passagem — passeante, jardineiro, cão, gato, coelho, cavalo. Não salta, agarra-se. Fixa-se onde o contacto com a roupa é mais apertado: cintura, tiras da mochila, elástico do calção, topo das meias, pulso. Uma vez na pele, injeta uma secreção salivar que digere as células superficiais — é esta digestão enzimática, e não uma simples picada, que provoca a reação inflamatória intensa e a comichão característica.
Beira de floresta com ervas altas no verão, micro-habitat típico da trombícula
Porque é que o pico chega entre o final de julho e o final de agosto
A trombícula precisa de calor (ótimo térmico 25–30 °C) e humidade (trovoadas, orvalho matinal, relvados regados ao fim da tarde). As condições meteorológicas do verão de 2026 — alternando episódios de calor seco e passagens tempestuosas — são ideais para a proliferação. O ciclo larvar acelera com a temperatura:
- maio–junho: atividade fraca, poucas larvas;
- meados de julho ao final de agosto: aumento da atividade, primeiros relatos na Île-de-France (florestas de Fontainebleau, Rambouillet, Senart, Meudon, Carnelle), relvados de residenciais e jardins privados;
- final de agosto a meados de setembro: pico anual, principal motivo de consulta em farmácia e dermatologia;
- outubro: atividade em declínio, mas ainda presente nas tardes amenas.
Ideia feita: «fui picado por pulgas». No auge do verão, nos tornozelos e parte inferior das costas depois de um passeio na floresta, o culpado é em 90 % dos casos a trombícula, não a pulga. A pulga humana (Pulex irritans) é rara na habitação moderna em França e encontra-se sobretudo em contextos de precariedade ou de locais abandonados. A pulga do cão (Ctenocephalides canis) pica antes os membros inferiores do dono, mas salta e vê-se a olho nu (1–3 mm).
Reconhecer uma picada de trombícula: 4 sinais-chave
O diagnóstico visual assenta em quatro critérios muito típicos que permitem diferenciar a trombícula da pulga, do mosquito ou da urticária:
- Borbulhas vermelhas vivas de 2–5 mm, muitas vezes coroadas por uma pequena vesícula central transparente (às vezes um ponto cor de laranja no centro — a larva ainda agarrada).
- Lesões agrupadas em cachos de 5–30 borbulhas muito próximas, por vezes alinhadas ao longo da orla da roupa (cintura, elástico das meias, bainha do calção).
- Comichão intensa, profunda, quase ardente, mais marcada que a do mosquito. Aparece 3–6 horas após a picada e atinge o pico às 24–48 h.
- Localização: tornozelos, barrigas das pernas, atrás dos joelhos, prega inguinal, cintura, parte inferior das costas, pulsos, nuca — todas as zonas onde a roupa aperta e onde a larva se pode manter fixa várias horas.
Uma variante mais rara, chamada trombidião, corresponde a um eritema difuso com ponto de picada central e pode ser confundida com um eritema migratório da doença de Lyme. Na menor dúvida — sobretudo após exposição na floresta — consulte o seu médico ou fotografe a lesão às 24–48 h para acompanhar a sua evolução (o eritema migratório de Lyme estende-se em anel concêntrico > 5 cm, a trombícula permanece localizada em cacho).
O que fazer em caso de picada: o protocolo 24–48 h
O tratamento é simples mas deve ser precoce para evitar a sobreinfeção:
Primeiros gestos imediatos (H+0 a H+2)
- Duche bem quente (≥ 40 °C) com sabão suave em todas as zonas expostas: o calor mata as larvas ainda agarradas e destaca as que ainda não picaram.
- Lavar a roupa a 60 °C imediatamente: as larvas morrem na máquina.
- Inspecionar tornozelos, barrigas das pernas, cintura, pulsos. Se vir um ponto cor de laranja no centro de uma borbulha, retire a larva suavemente com uma cotonete embebida em álcool a 70° (sem esmagar, sem puxar).
- Desinfetar a zona com um antisséptico local (clorexidina aquosa 0,05 % ou iodopovidona).
Alívio da comichão (H+2 a D+15)
- Creme de hidrocortisona a 1 %: 2 aplicações/dia durante 3 a 5 dias, sem ultrapassar 7 dias sem conselho médico.
- Anti-histamínico oral de 2.ª geração (cetirizina 10 mg, loratadina 10 mg, desloratadina 5 mg): 1 comprimido/dia, sobretudo à noite para acalmar a comichão noturna.
- Loções calmantes: gel de aloe vera puro, loção de calamina, creme de aveia coloidal.
- Compressas frias (sem gelo diretamente sobre a pele) sobre os cachos mais inflamados.
- Corte as unhas curtas e lave as mãos após cada aplicação para evitar a auto-inoculação e a sobreinfeção.
O que nunca deve fazer
- ❌ Coçar: é a principal causa de sobreinfeção bacteriana (estafilococo, estreptococo). Risco de impetigo crostoso, foliculite, mesmo erisipela (dermo-hipodermite aguda que requer antibioterapia).
- ❌ Lixívia, vinagre concentrado puro, óleos essenciais não diluídos sobre as lesões: queimaduras químicas e sensibilização.
- ❌ Pomada de penicilina ou antibiótico local sem prescrição: risco de alergia e de resistência aos antibióticos.
- ❌ Perfurar a vesícula central: é uma importante porta de entrada bacteriana.
Quando consultar um médico
- Febre, arrepios, mal-estar geral, gânglios inchados.
- Sobreinfeção: vermelhidão que se estende, calor local, pus, risco vermelho que sobe pela perna.
- Numerosas picadas numa criança pequena ou pessoa frágil.
- Reação alérgica grave (edema da face, dificuldade respiratória, urticária gigante) → urgência vital, ligue 15 (SAMU).
- Lesões que não melhoram após 7 a 10 dias de tratamento bem conduzido.
Farmacêutica familiar com creme calmante e anti-histamínicos para aliviar as picadas de trombículas
Prevenção: a estratégia 2026 antes de cada saída
1. Vestuário barreira (a medida mais eficaz)
- Calças compridas enfiadas dentro de meias altas (acima do tornozelo).
- Mangas compridas apertadas nos pulsos (elástico ou velcro).
- Sapatos fechados ou botas de caminhada — nunca pés descalços na relva.
- Roupa clara: as larvas cor de laranja são mais visíveis em tecido branco ou bege.
- Chapéu ou boné: limita a fixação na nuca.
- Não sentar diretamente na relva, num muro herboso ou debaixo de uma árvore baixa. Prefira uma cadeira, uma almofada ou um banco dobrável.
2. Repelentes cutâneos e têxteis
A ANSES e a ANSM recomendam as seguintes substâncias ativas, a adaptar consoante a idade e o estado de saúde:
| Substância | Concentração | População | Duração | Observações | |------------|--------------|-----------|---------|-------------| | DEET | 30–50 % | Adultos, crianças > 12 anos | 4–6 h | Referência, evitar em grávidas e crianças pequenas | | IR3535 | 20–35 % | Adulto, criança > 24 meses, grávidas | 4–6 h | Muito boa tolerância cutânea | | Picaridina (icaridina) | 20 % | Adulto, criança > 24 meses | 4–6 h | Boa alternativa ao DEET | | Citriodiol (PMD) | 20–30 % | Adulto, criança > 3 anos | 4–6 h | Origem vegetal (eucalipto citriodora) | | Permetrina | 0,5–1 % apenas sobre roupa | Toda a família | até 1 mês ou 6 lavagens | NÃO aplicar na pele, tratamento inseticida do tecido |
Renove a aplicação a cada 4–6 horas e imperativamente após banho, transpiração intensa ou fricção.
3. No jardim: limitar o habitat da trombícula
As trombículas proliferam nos jardins mal cuidados. Alguns gestos simples bastam para reduzir fortemente a população:
- Cortar a relva regularmente a uma altura de 4 a 6 cm no máximo (as larvas fogem dos relvados rasos e quentes).
- Recolher as folhas mortas no outono e no início do verão.
- Desimpedir as bordaduras de muros, sebes, canteiros de ervas altas e detritos vegetais.
- Não regar ao fim do dia: a humidade residual noturna favorece o ciclo do ácaro. Prefira uma rega matinal.
- Eliminar os esconderijos de roedores (madeira empilhada, montes de telhas, composto aberto): os roedores são os principais hospedeiros reservatório da trombícula. É aqui que entra a experiência da ProDeratisation (ver abaixo).
- Usar luvas + mangas compridas para cortar a relva, sachar, podar sebes, apanhar fruta caída.
4. Ao regressar do passeio
- Duche imediato (≤ 30 min após a exposição) com sabão.
- Mudança completa de roupa; a roupa suja na máquina a 60 °C.
- Secagem na máquina de secar (calor seco) se possível: o calor mata as larvas.
- Inspeção minuciosa das zonas quentes (tornozelos, cintura, axilas, prega inguinal) — muitas vezes sob o duche com boa luz.
Animais de companhia: o cão e o gato também
A trombícula não distingue o homem do cão ou do gato. Bem pelo contrário, o pelo é um abrigo ideal para as larvas, que picam nas zonas onde a pele é fina e quente: pregas das orelhas, entre os dedos, barriga, face interna das coxas, contorno dos olhos.
Para proteger o seu animal:
- Inspeção sistemática após cada saída na floresta, jardim público, parque, parque de campismo, zona herbosa.
- Produtos veterinários acaricidas em pipeta spot-on ou spray prescritos pelo seu veterinário (as trombículas nem sempre são sistematicamente visadas pelos antipulgas clássicos, verifique o folheto).
- Champô acaricida em caso de infestação massiva.
- Cama e almofada laváveis a 60 °C regularmente.
- Não deixar o animal dormir na cama nos dias seguintes a uma exposição.
Em caso de coçadura intensa, consulte o seu veterinário: um cão que se coça até ao sangue pode desenvolver uma dermatite piotraumática («hot spot») em 24–48 h.
O papel da ProDeratisation: tratar o terreno, não só a picada
A ProDeratisation intervém sobre o reservatório animal da trombícula — ou seja, os roedores (ratos-do-campo, ratazanas, murganhos) que mantêm o ciclo no seu jardim, residência, parque de campismo, centro de lazer ou parque empresarial. Na Île-de-France (Paris, Seine-et-Marne, Yvelines, Essonne, Val-de-Marne, Hauts-de-Seine, Seine-Saint-Denis, Val-d'Oise), os nossos técnicos higienistas Certibiocide propõem um diagnóstico gratuito no local com:
- Deteção das zonas de risco: bordaduras herbosas, pilhas de madeira, compostos, zonas de armazenamento, micro-habitats favoráveis aos roedores.
- Plano de gestão integrada que combina tratamento dos roedores reservatório (estações de isco seguras, armadilhagem), manutenção paisagística preventiva (altura de corte, desmatação, gestão da água) e tratamento acaricida direcionado das zonas de passagem (biocida homologado).
- Contrato anual para residenciais, condomínios, colónias de férias, campos de golfe, centros ao ar livre, parques empresariais e coletividades: visitas planeadas de maio a outubro, rastreabilidade e balanço anual.
- Intervenção rápida em 24–48 h em caso de invasão aguda, nomeadamente para hotéis, parques de campismo, colónias de férias, creches e ERP sensíveis.
A saber: a ProDeratisation não vende repelentes em grandes superfícies, mas pode aconselhar o kit de prevenção familiar (DEET ou IR3535, anti-histamínico, creme calmante, removedor de trombículas) e orientar para um dermatologista ou farmacêutico parceiro em caso de reação grave.
Para saber mais sobre a gestão de roedores em meio urbano (que são ao mesmo tempo uma praga direta e o reservatório da trombícula), consulte as nossas páginas Desratização na Île-de-France e Peça o seu diagnóstico verão 2026.
O que reter para o verão de 2026
- ✅ Meados de julho a meados de outubro = estação das trombículas; pico final de agosto – meados de setembro.
- ✅ Picada = cacho de borbulhas vermelhas nos tornozelos, barrigas das pernas, cintura, parte inferior das costas.
- ✅ Não coçar: sobreinfeção = impetigo, erisipela.
- ✅ Duche quente + sabão ao regressar, roupa a 60 °C.
- ✅ Calças dentro das meias + DEET 30–50 % ou IR3535 20–35 %: a combinação vencedora.
- ✅ Cortar a 4–6 cm, não regar à noite, eliminar esconderijos de roedores.
- ✅ Trombículas = sem transmissão de doença em França metropolitana, mas verdadeiro impacto na qualidade de vida: sono perturbado, baixas ao trabalho, férias estragadas.
- ✅ ProDeratisation intervém sobre os roedores reservatório e propõe um contrato anual para os locais expostos.
Não deixe as trombículas estragar o seu verão de 2026: a prevenção começa antes da próxima saída à floresta. Peça o seu diagnóstico anti-pragas na Île-de-France ou consulte os nossos preços.
Fontes e referências: Ameli.fr — Picadas de insetos e ácaros, Santé publique France — Boletim vetores verão 2026, ANSES — Recomendações repelentes cutâneos 2025, Vidal — Trombiculose e dermatite estival, INRS — Riscos biológicos em espaços verdes, Société française de dermatologie — Recomendações 2024.
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