Ratazana-castanha agarrada a um ramo de figueira, em grande plano por entre as folhas verdes
guepes-frelons

Vespas e vespões em setembro de 2026: por que o fim da estação é o período mais perigoso (e como reagir)

Por L'équipe ProDeratisationPublicado a 4 de setembro de 202612 min de leitura

Há um momento do ano em que a nossa central telefónica muda de ritmo de um dia para o outro: a última semana de agosto. As chamadas por percevejos-do-colchão e baratas não desaparecem, mas ficam submersas por uma única pergunta, repetida cem vezes: «há um ninho de vespas mesmo por cima da porta de entrada, já não conseguimos sair». E, sistematicamente, o mesmo comentário: «e no entanto, em junho, não havia nada».

É verdade. Em junho, o ninho já existia — mas tinha o tamanho de uma bola de golfe e albergava umas trinta operárias discretas. Em setembro, esse mesmo ninho contém vários milhares de indivíduos, tem o tamanho de uma bola de râguebi e a colónia entra na sua fase terminal: a mais imprevisível. Compreender esta viragem biológica é compreender por que razão o fim da estação é, de longe, o período do ano com mais acidentes.

Ratazana-castanha agarrada a um ramo de figueira, em grande plano por entre as folhas verdesRatazana-castanha agarrada a um ramo de figueira, em grande plano por entre as folhas verdes

Porque é que as vespas se tornam agressivas no fim da estação

O ciclo anual de uma colónia, num minuto

Uma colónia de vespas comuns (Vespula germanica, Vespula vulgaris) ou de vespões europeus (Vespa crabro) é anual. Tudo recomeça do zero a cada primavera:

  • Abril-maio: uma rainha fecundada sai da hibernação, constrói sozinha um embrião de ninho e cria as primeiras operárias.
  • Junho-julho: crescimento exponencial. As operárias caçam insetos para alimentar as larvas; em troca, as larvas segregam um líquido açucarado que os adultos consomem. O equilíbrio é perfeito, a colónia está concentrada no seu trabalho e ignora soberbamente os humanos.
  • Fim de agosto-setembro: a rainha deixa de pôr ovos de operárias e produz reprodutores (futuras rainhas e machos). Já não há larvas para alimentar — logo, deixa de haver secreção açucarada.
  • Outubro-novembro: a colónia extingue-se. Só as jovens rainhas fecundadas sobrevivem, escondidas sob uma casca de árvore ou numa pilha de lenha, para recomeçar na primavera.

O ponto de viragem: milhares de operárias sem trabalho

É aqui que tudo se decide. Em setembro, vários milhares de operárias veem-se sem larvas para alimentar e sem fonte interna de açúcar. Partem então à procura de hidratos de carbono no exterior: fruta caída, uvas maduras, compota, latas de refrigerante, gelados, bolos, caixotes do lixo das esplanadas. E fazem-no com uma determinação nova, com um limiar de tolerância muito reduzido.

A isto acrescenta-se a defesa do ninho: a colónia contém reprodutores, ou seja, todo o futuro genético da linhagem. O raio de defesa alarga-se. Um corta-relva, um berbequim numa fachada, uma persiana batida a três metros do ninho podem desencadear um ataque em grupo. Em plena estação, a mesma vibração teria passado despercebida.

O ninho não se tornou «mau». Tornou-se sobrepovoado, esfomeado de açúcar e está a proteger a sua descendência. É um estado biológico, não um carácter.

Junte-se, por fim, o fator meteorológico: os meses de setembro quentes e secos, como os que a região de Île-de-France conhece cada vez com mais frequência, prolongam a atividade das colónias em duas a três semanas relativamente às médias antigas, e tornam a água e o néctar mais raros. Colónias maiores, estação mais longa, recursos mais escassos: os três ingredientes de um mês de setembro tenso.

Saber quem tem pela frente: vespa, vespão europeu, vespa asiática

A identificação não é um pormenor de entomólogo. Ela condiciona a localização do ninho, o nível de risco e o método de intervenção.

EspécieTamanho adultoAspetoNinho típicoComportamento
Vespa comum (Vespula sp.)12-17 mmAmarelo vivo e preto, cintura muito finaBola de papel cinzenta: sob o telhado, na caixa de estore, numa parede oca ou debaixo da terraMuito atraída pelo doce e pelas proteínas; picadas frequentes nas esplanadas
Vespão europeu (Vespa crabro)25-35 mmCastanho-ruivo, amarelo, cabeça ruivaNinho volumoso em cavidade: sótão, tronco oco, chaminé, revestimento de fachadaImpressionante, mas pouco agressivo longe do ninho; atraído pela luz à noite
Vespa asiática (Vespa velutina)20-30 mmTórax preto mate, patas amarelas, faixa alaranjada no abdómenNinho esférico em altura (árvore, sebe, beiral), entrada lateralDefende o ninho num amplo raio; predadora de abelhas

Dois pontos de referência simples no terreno:

  1. As patas. A vespa asiática tem as extremidades das patas de um amarelo muito nítido, visível em voo — é o critério mais fiável para um não especialista. O vespão europeu tem patas castanho-ruivas.
  2. A entrada do ninho. Um ninho de vespa asiática em pleno crescimento tem uma abertura lateral; um ninho de vespas em bola abre-se por baixo.

A vespa asiática (Vespa velutina nigrithorax), introduzida em França em 2004, está hoje presente na quase totalidade do território metropolitano, incluindo a Île-de-France. Está classificada como espécie exótica invasora e figura na lista dos perigos sanitários de segunda categoria para a abelha doméstica (portaria ministerial de 26 de dezembro de 2012). O Muséum national d'Histoire naturelle, através do Inventaire national du patrimoine naturel, centraliza as comunicações; as federações e os agrupamentos de defesa sanitária apícola (GDSA) organizam localmente a destruição dos ninhos.

Ratazana-castanha de pelagem cinzenta pousada entre folhas secas alaranjadas, olhando para a objetivaRatazana-castanha de pelagem cinzenta pousada entre folhas secas alaranjadas, olhando para a objetiva

Onde se escondem os ninhos que só se veem em setembro

Grande parte das nossas intervenções de regresso às aulas diz respeito a ninhos que estavam ali desde maio, mas que só foram detetados no momento em que o tráfego de operárias se tornou impossível de ignorar, ou quando a queda das folhas revelou uma massa cinzenta numa sebe.

Os locais que mais frequentemente encontramos na Île-de-France:

  • As caixas de estore. O clássico absoluto em apartamento: bastam alguns milímetros de folga, o espaço é seco, isolado, protegido.
  • Os sótãos e os subtelhados. Terreno de eleição do vespão europeu. O ruído característico — um rumor grave e contínuo no teto — precede muitas vezes a descoberta visual.
  • As cavidades das paredes e as ventilações. Um ninho totalmente invisível, denunciado por um vaivém permanente numa única grelha de ventilação.
  • O solo. As vespas germânicas ocupam de bom grado uma antiga toca de rato-do-campo, um talude, uma orla de relvado. É o cenário dos acidentes com corta-relvas e roçadoras.
  • As sebes densas, glicínias, heras, árvores de grande porte. Assinatura da vespa asiática, com ninhos por vezes a 10 ou 15 metros de altura.
  • Os compostores, abrigos de jardim, churrasqueiras, arcas de almofadas. Abertos uma vez por mês no verão… e fechados bruscamente em setembro.

A localização sem risco: observar o tráfego, não o ninho

O bom método consiste em nunca se aproximar, mas em observar de onde partem e para onde regressam os insetos. Coloque-se à distância, idealmente no interior atrás de um vidro, e siga a trajetória durante dois ou três minutos. Um par de binóculos compactos torna esta observação bem mais simples do que uma aproximação a pé, sobretudo para um ninho em altura. Ao fim do dia, quando a luz baixa, o fluxo de entrada intensifica-se e o eixo torna-se evidente.

Anote o que vir antes de chamar um profissional: altura estimada, suporte (árvore, fachada, solo), diâmetro aproximado, orientação da abertura, intensidade do tráfego. Estas cinco informações determinam o equipamento, a vara, o produto e a janela horária da intervenção.

O que nunca se deve fazer perante um ninho

Em cada estação intervimos após tentativas «caseiras» que correram mal. Eis a lista dos gestos que mandam pessoas para as urgências:

  • Pulverizar o ninho com um inseticida em aerossol de venda livre. O alcance é curto, o efeito letal é parcial, e você fica a poucos metros de uma colónia inteira em alerta. Num ninho de fim de estação, é a configuração típica da picada múltipla.
  • Queimar, fumigar, escaldar. Risco de incêndio grave no telhado e eficácia nula: o cartão do ninho protege o coração da colónia.
  • Tapar o orifício de entrada de uma cavidade de parede. Os insetos procuram outra saída — muitas vezes para o interior da habitação, através de um teto falso ou de uma conduta elétrica.
  • Usar o jato da máquina de alta pressão ou uma vara a partir de um escadote. O ninho cai, a colónia fica no chão e você está em equilíbrio a três metros de altura.
  • Cortar a relva ou desmatar «para ver». As vibrações são o desencadeador número um dos ataques de ninhos subterrâneos.
  • Intervir em pleno dia. O máximo de operárias está fora e regressará a um ninho destruído; a intervenção faz-se ao crepúsculo ou ao amanhecer, quando a colónia está reunida e pouco móvel.

Existe uma exceção razoável: um ninho primário muito pequeno (do tamanho de uma bola de golfe, com menos de dez insetos) descoberto na primavera num suporte desimpedido pode ser eliminado por um particular equipado e prudente. Em setembro, essa janela está fechada. Um ninho maduro é assunto para uma empresa especializada, com fato integral certificado, vara telescópica e produtos profissionais.

Ratazana-castanha de pelagem cinzenta à procura de alimento sobre gravilha, ao longo de uma parede de madeiraRatazana-castanha de pelagem cinzenta à procura de alimento sobre gravilha, ao longo de uma parede de madeira

Picadas: distinguir o que é benigno do que é urgente

Segundo a Ameli e o Vidal, a grande maioria das picadas de himenópteros provoca uma reação local: dor viva imediata, vermelhidão, inchaço de alguns centímetros, comichão, que regride em 24 a 48 horas.

Como agir perante uma picada isolada:

  1. Afastar-se calmamente da zona — as vespas marcam quimicamente um alvo e outras operárias podem seguir.
  2. Retirar um eventual ferrão (caso da abelha, não da vespa) raspando-o com a unha ou um cartão rígido, sem apertar a glândula de veneno.
  3. Aproximar uma fonte de calor (ponta de cigarro apagado, à distância, ou secador de cabelo) durante alguns segundos: o veneno é termolábil e a dor diminui.
  4. Lavar com água e sabão, depois aplicar frio envolvido num pano durante 15 minutos. Uma bolsa de frio instantâneo no estojo de primeiros socorros familiar evita improvisar com um saco de ervilhas congeladas.
  5. Retirar anéis e pulseiras se a picada for na mão.
  6. Vigiar durante várias horas.

Ligue para o 15 ou o 112 sem esperar em caso de:

  • picada na boca, na garganta ou no pescoço (risco de edema obstrutivo);
  • picadas múltiplas, em especial acima de umas vinte, ou qualquer picada múltipla numa criança ou numa pessoa idosa;
  • sinais gerais: urticária generalizada, inchaço do rosto ou das pálpebras, dificuldade em respirar, pieira, vómitos, mal-estar, sensação de morte iminente. Trata-se de uma reação anafilática, uma emergência vital absoluta.

Às pessoas já identificadas como alérgicas ao veneno de himenópteros é prescrita uma caneta autoinjetora de adrenalina; o alergologista pode propor uma dessensibilização (imunoterapia com alergénios), cuja eficácia está bem documentada. Se houver alguém do agregado familiar nessa situação, verifique o prazo de validade da caneta antes de cada época estival e mantenha-a acessível, e não no fundo de uma gaveta.

Prevenção: reduzir a atratividade do seu espaço exterior

Não se pode impedir uma rainha de escolher a sua caixa de estore em abril, mas é possível reduzir fortemente a afluência e o risco de conflito em setembro.

Na esplanada e no jardim

  • Tapar sistematicamente as bebidas açucaradas e beber com palhinha no exterior: todos os anos ocorrem acidentes com uma vespa que entrou numa lata.
  • Apanhar a fruta caída (maçãs, peras, figos, uvas) de dois em dois dias.
  • Fechar hermeticamente os caixotes do lixo, enxaguar as embalagens de produtos açucarados, não deixar a tigela do animal lá fora.
  • Recolher rapidamente os restos das refeições em vez de deixar a mesa por levantar durante muito tempo.
  • Nas varandas e janelas acessíveis, uma rede mosquiteira magnética para janela limita as intrusões e torna as noites mais tranquilas quando há um ninho ativo nas proximidades.
  • Evitar perfumes e lacas muito adocicados durante as refeições ao ar livre, e privilegiar roupa clara, lisa e que cubra o corpo.

No edifício — o trabalho que realmente conta

A prevenção duradoura é mecânica. Depois da destruição de um ninho, ou durante o inverno, quando toda a atividade cessou:

  • Colocar rede nas entradas de sótãos, portinholas e grelhas de ventilação, com malha fina inoxidável.
  • Tapar as fissuras da fachada e as passagens de cabos com um mástique adequado; um cartucho de mástique para fachada exterior e uma pistola de cartucho bastam para tratar os pontos de entrada mais comuns.
  • Mandar verificar as juntas das caixas de estore.
  • Podar sebes, glicínias e heras na primavera em vez de setembro.

Quanto às armadilhas para vespas à venda no mercado, sejamos honestos: mal utilizadas, capturam massivamente insetos não visados (abelhas, borboletas, sirfídeos) sem reduzir significativamente a pressão de um ninho maduro. A ANSES e as estruturas apícolas lembram que a captura só tem interesse se for dirigida, seletiva e em períodos precisos. Uma armadilha nunca substitui a eliminação do ninho.

Ninho detetado: o procedimento correto, do telefonema à intervenção

  1. Não tentar nada. Interditar o acesso à zona: condenar uma porta, colocar sinalização, avisar as crianças e os vizinhos.
  2. Identificar e localizar à distância (as cinco informações listadas acima).
  3. Verificar quem deve intervir. Na Île-de-France, os bombeiros geralmente só se deslocam se existir um perigo comprovado e imediato para pessoas; os ninhos em propriedade privada são da responsabilidade de uma empresa de desinsetização. No caso de um ninho de vespa asiática, alguns municípios e comunidades intermunicipais comparticipam total ou parcialmente o custo: informe-se na câmara municipal antes de encomendar a intervenção.
  4. Em condomínio ou em arrendamento, um ninho numa parte comum (fachada, telhado, caixa exterior) é da responsabilidade do administrador ou do senhorio. Comunique por escrito, com fotografia e data: esse registo é determinante em caso de litígio.
  5. Após a destruição, deixe o ninho vazio no local se for inacessível: não será reocupado no ano seguinte. Em contrapartida, a cavidade poderá sê-lo — daí a importância dos trabalhos de vedação.

Em setembro, cada semana conta: a colónia continua perigosa até às primeiras geadas duradouras, e uma intervenção realizada agora elimina também as futuras rainhas antes de se dispersarem. É o único momento do ano em que remover um ninho tem um efeito simultaneamente imediato e sobre a estação seguinte.

Este artigo tem um objetivo informativo e não substitui um parecer médico. Em caso de picada com sinais gerais, ligue para o 15 ou o 112.

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