Pilha de toalhas brancas e flores pousadas sobre uma cama com almofada branca num quarto
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Alimentar as aves e os gatos do bairro: o gesto generoso que alimenta sobretudo os ratos (e o que diz a lei)

Por L'équipe ProDeratisationPublicado a 8 de setembro de 202612 min de leitura

Há uma visita técnica que termina quase sempre da mesma forma, e é delicada. Chegamos a um condomínio por um problema de ratos assinalado há três meses, inspecionamos as caves, as condutas técnicas, o compartimento do lixo — está tudo correto, por vezes até exemplar. Depois damos a volta ao edifício pelo exterior e encontramos, junto à parede norte, encostadas a uma sebe de ligustros, duas tigelas de plástico e um saco de ração de 4 kg colocado debaixo de uma lona. A três metros, uma toca com terra fresca à entrada.

Subimos para falar com a administração do condomínio e temos de explicar uma coisa que nunca é agradável de ouvir: o problema não resulta de uma falha de manutenção, resulta de uma moradora que, há seis anos, alimenta os gatos do bairro com uma regularidade e uma bondade perfeitas. Ela não fez nada de mal. Simplesmente, sem o saber, instalou o melhor restaurante para ratos da zona.

É o tema mais mal compreendido da prevenção urbana, porque opõe duas coisas igualmente legítimas: o cuidado com os seres vivos e a salubridade coletiva. Vamos, por isso, tentar ser precisos, sem moralizar.

Pilha de toalhas brancas e flores pousadas sobre uma cama com almofada branca num quartoPilha de toalhas brancas e flores pousadas sobre uma cama com almofada branca num quarto

Porque é que a alimentação muda tudo na dinâmica de uma colónia

O fator limitante do rato urbano não é o espaço, é o alimento estável

Uma ratazana-castanha (Rattus norvegicus) consome entre 25 e 30 gramas de matéria seca por dia, mais 30 a 60 ml de água. Não é muito. Na cidade, a dificuldade não está em encontrar 30 gramas uma vez — os contentores fornecem-nas — mas em encontrar 30 gramas todos os dias, no mesmo sítio, sem risco.

Os recursos provenientes dos resíduos são erráticos: dependem dos dias de recolha, do enchimento dos contentores, do tempo que faz. Geram populações instáveis, que flutuam e se dispersam. Pelo contrário, um ponto de alimentação voluntário — comedouro, tigela de ração, pão atirado aos pombos — apresenta três características que mais nada reúne em meio urbano:

  • a regularidade: mesma hora, mesmo local, muitas vezes há anos;
  • a densidade energética: a ração para gatos tem 350 a 400 kcal/100 g, as sementes de girassol chegam às 580 kcal/100 g. É três a seis vezes a densidade de um resíduo doméstico húmido;
  • a acessibilidade ao nível do solo: o que cai fica, e o que fica é consumido durante a noite.

Resultado mensurável: em redor de um ponto de alimentação permanente, a densidade de roedores é habitualmente 5 a 10 vezes superior à observada a 100 metros de distância. Não é uma intuição de terreno, é uma constatação clássica da literatura em ecologia urbana, e é a razão pela qual a maioria dos serviços municipais de higiene começa os seus inquéritos por esta questão.

O efeito demográfico: a sobrevivência invernal

O ponto mais importante é sazonal, e é por isso que publicamos este artigo no início de setembro.

Uma fêmea de ratazana pode ter 5 a 7 ninhadas por ano, de 6 a 12 crias. Em teoria, um casal gera várias centenas de descendentes anuais. Na prática, a mortalidade invernal corta bruscamente a população: em dezembro-janeiro, sem recurso fiável, os jovens do ano morrem em massa, as fêmeas deixam de se reproduzir, a colónia contrai-se.

Um ponto de alimentação mantido todo o ano suprime esse corte. A colónia entra na primavera com o efetivo preservado e inicia a época reprodutiva com uma base três a quatro vezes mais ampla. É exatamente o que observamos nos condomínios onde a alimentação dura há vários anos: o problema nunca é sazonal, é permanente e crescente.

Uma infestação que não conhece quebra invernal é, em nove casos em cada dez, uma infestação alimentada voluntariamente — mesmo sem que nenhum morador tenha disso consciência.

O que diz realmente a regulamentação francesa

É aqui que muitos conflitos de condomínio se agravam por falta de informação exata. É preciso distinguir três situações muito diferentes.

A alimentação de animais errantes e de aves: o RSD

O enquadramento principal é o Règlement sanitaire départemental (RSD), aprovado por despacho prefeitoral em cada departamento com base no RSD-tipo. O seu artigo 120 proíbe, em substância, lançar ou depositar sementes ou alimentos em quaisquer locais públicos para aí atrair animais errantes, selvagens ou que se tenham tornado tal, nomeadamente gatos e pombos. Abrange igualmente os proprietários, arrendatários ou ocupantes de imóveis onde esses alimentos sejam depositados.

Duas precisões que se esquecem sistematicamente:

  1. A proibição não é absoluta no sentido moral, é sanitária: visa o depósito de alimentos suscetíveis de atrair animais errantes e de favorecer a proliferação. O RSD contém também uma obrigação geral de evitar a proliferação de insetos e roedores (artigos 119 a 121, consoante os departamentos).
  2. A sanção existe: contraordenação de 3.ª classe, ou seja, 450 € no máximo, verificável pela polícia municipal ou nacional. Na prática, a autuação continua a ser rara e ocorre após vários avisos.

Como cada departamento tem o seu próprio despacho, a numeração e a formulação podem variar ligeiramente. O texto aplicável pode ser consultado no site da sua prefeitura ou da ARS.

Os gatos comunitários: um estatuto legal específico, muitas vezes ignorado

Ao contrário do que se pensa, alimentar gatos errantes não é sistematicamente ilegal. O artigo L211-27 do Code rural et de la pêche maritime autoriza o presidente da câmara a mandar capturar, esterilizar e identificar os gatos sem dono que vivam em grupo, e depois a libertá-los no local de captura. São os chamados chats libres (gatos comunitários). A sua gestão é frequentemente objeto de protocolo com uma associação (École du Chat, Fondation 30 Millions d'Amis, etc.), e a alimentação é então enquadrada, num ponto designado, por pessoas identificadas.

A diferença entre um dispositivo de gatos comunitários protocolado e uma alimentação selvagem não é, portanto, a presença de tigelas: é a existência de um protocolo — horário fixo, remoção das sobras, local definido, esterilização efetiva.

Em condomínio: o regulamento prevalece muitas vezes

O regulamento do condomínio pode proibir a alimentação de animais nas partes comuns, nas varandas e nas janelas — e essa cláusula é perfeitamente válida. A assembleia geral pode igualmente votar uma resolução nesse sentido, por maioria do artigo 24. Em caso de perturbação anormal de vizinhança caracterizada (ratos atraídos, sujidade, odores), a jurisprudência civil dá regularmente razão ao condomínio.

Rato castanho de pelagem cinzenta a comer sementes sobre uma pedra, cauda longa visível, fundo verde desfocadoRato castanho de pelagem cinzenta a comer sementes sobre uma pedra, cauda longa visível, fundo verde desfocado

O caso particular do comedouro para aves

Alimentar os chapins no inverno é uma prática incentivada pela Ligue pour la Protection des Oiseaux (LPO), e não pedimos a ninguém que a abandone. Mas a própria LPO formula recomendações precisas que quase ninguém aplica integralmente.

O problema não é o comedouro, é o que cai dele

Um passeriforme seleciona. Um pintassilgo descasca uma semente de girassol e deixa cair o invólucro mais uma parte da amêndoa; um pardal projeta para o chão 20 a 40 % daquilo que debica. Num comedouro abastecido diariamente, isso representa várias dezenas de gramas de sementes no chão todos os dias — ou seja, literalmente, a ração completa de um a dois ratos.

Os quatro erros que encontramos com maior frequência:

ErroConsequênciaCorreção
Sementes espalhadas diretamente no chão ou no parapeito da varandaAcesso imediato para roedores, sem possibilidade de seleçãoApenas comedouro suspenso
Comedouro pousado num muro, numa mesa, num poste largoO rato trepa, o ratinho tambémSuspensão num fio, a mais de 1,50 m do solo e 1,50 m de qualquer apoio
Saco de sementes guardado no espaço das bicicletas ou na caveO stock torna-se a verdadeira fonteRecipiente rígido fechado
Alimentação todo o anoSupressão do corte invernal, dependência das avesApenas de novembro a fim de março

Na prática, um comedouro suspenso para aves anti-esquilo, cujo princípio é inclinar-se ou fechar os acessos sob um peso superior ao de um passeriforme, resolve grande parte do problema: o que bloqueia um esquilo bloqueia também um rato-preto, excelente trepador. Um tabuleiro recuperador de sementes encaixado por baixo do comedouro elimina a fração que cai — é o acessório mais útil e o menos comprado.

Quanto ao stock, a regra é simples e vale também para a ração: nunca um saco de papel ou de plástico pousado no chão. Um bidão hermético em metal para sementes ou em polipropileno rígido com tampa de encaixe resiste à roedura, o que nenhum saco faz. Um ratinho fura um saco de 5 kg numa noite e deixa atrás de si urina e dejetos: o stock fica então para deitar fora, não apenas contaminado para si, mas perigoso para as próprias aves (salmonelose aviária, tricomonose).

A escolha das sementes conta

As misturas de gama baixa contêm muito trigo, aveia e sementes de fraco valor para os passeriformes: estes rejeitam-nas, e acabam no chão. Uma mistura dominada por girassol preto e amendoins sem sal é melhor consumida, logo menos desperdiçada. As bolas de gordura vegetal sem rede — as redes de plástico prendem as patas dos chapins e são desaconselhadas pela LPO — colocadas num distribuidor gradeado limitam igualmente as quedas.

O protocolo de alimentação de gatos que não atrai roedores

Trabalhamos regularmente com associações felinas, e o compromisso existe. Resume-se a cinco regras, e funciona realmente.

  1. Horário fixo, durante o dia. Os gatos comem de dia, os ratos de noite. Alimentar de manhã e retirar antes do anoitecer elimina 80 % do problema só por si.
  2. Remoção sistemática das sobras. Nada de tigela deixada cheia «por via das dúvidas». É a regra que ninguém cumpre e que decide tudo.
  3. Nada de alimentação húmida deixada no exterior. A comida húmida atrai também moscas e baratas orientais.
  4. Ponto de alimentação afastado dos edifícios, a mais de 10 metros das fachadas, das frestas de ventilação das caves, dos compartimentos do lixo e das sebes densas que servem de corredor de circulação aos roedores.
  5. Superfície lavável. Uma laje de betão lavável, e não terra ou gravilha onde as migalhas desaparecem e depois fermentam.

Um distribuidor de ração com deteção de chip eletrónico — concebido originalmente para separar as dietas de vários gatos do mesmo lar — é uma solução elegante quando o grupo de gatos comunitários está identificado: só abre perante os animais registados e permanece hermeticamente fechado o resto do tempo. É um investimento, mas num condomínio onde o conflito dura há anos, custa menos do que uma campanha anual de desratização.

Como saber se o seu prédio está em causa: cinco indícios

Antes de acusar quem quer que seja, verifique. Os sinais de um ponto de alimentação explorado por roedores são bastante característicos:

  • trilhos — caminhos de 5 a 8 cm de largura, terra compactada e vegetação gasta — convergindo para um mesmo ponto a partir das sebes ou das caixas de visita;
  • marcas de gordura enegrecidas ao longo dos muros baixos e das soleiras, deixadas pela pelagem nos trajetos repetidos;
  • dejetos frescos (brilhantes, moles) concentrados num raio de 5 metros à volta das tigelas;
  • uma atividade ao anoitecer, e não a meio da noite, sinal de uma população densa que disputa o recurso;
  • tocas a menos de 15 metros, muitas vezes dissimuladas sob uma sebe, um abrigo de jardim ou uma laje solta.

Uma lanterna recarregável de feixe largo e uma inspeção às 21 h em setembro bastam para resolver o debate numa só noite. É o que fazemos antes de qualquer proposta de tratamento, e isso evita muitas campanhas de isco inúteis.

Tratar sem eliminar a fonte não serve de nada

É preciso dizê-lo com clareza, porque diz respeito ao dinheiro dos condomínios: uma campanha de isco realizada junto a um ponto de alimentação ativo é, em larga medida, ineficaz. O rato é neofóbico — desconfia de qualquer novidade no seu ambiente — e é sobretudo oportunista: entre um bloco de isco rodenticida desconhecido e um monte de ração que consome há dois anos, nunca escolhe o isco.

A isto acresce uma restrição regulamentar. Desde as evoluções do quadro europeu sobre os biocidas e as posições da ANSES sobre os anticoagulantes de segunda geração, o uso de rodenticidas está enquadrado: estações de isco seguras obrigatórias, rastreabilidade e, sobretudo, obrigação de aplicar previamente as medidas de prevenção não químicas. Por outras palavras, a supressão das fontes alimentares não é uma opção de conforto: é um pré-requisito regulamentar para a luta química.

O risco de envenenamento secundário é igualmente real: gatos, ouriços-cacheiros, aves de rapina noturnas que consomem roedores intoxicados. Alimentar gatos numa zona com iscos é, deste ponto de vista, a pior configuração possível.

Como proceder em condomínio, sem conflito

A experiência mostra que a abordagem frontal — carta intimatória, ameaça de autuação — produz sobretudo ressentimento e uma alimentação clandestina, ou seja, pior. A sequência que funciona:

  1. Documentar: fotografias datadas do ponto de alimentação, dos vestígios de atividade e, eventualmente, um auto do serviço municipal de higiene e saúde (SCHS), gratuito na maioria das grandes cidades.
  2. Informar em vez de acusar: um aviso claro a explicar porquê a alimentação no chão é problemática, com as alternativas concretas. A maioria das pessoas envolvidas desconhece simplesmente a ligação com os ratos.
  3. Propor uma solução enquadrada: se existirem gatos comunitários, contactar a câmara municipal para um protocolo de esterilização ao abrigo do artigo L211-27. O número de gatos diminuirá e a alimentação será organizada.
  4. Inscrever uma resolução na ordem de trabalhos da AG: proibição da alimentação nas partes comuns e nas varandas, com, se for caso disso, um ponto de alimentação enquadrado e afastado.
  5. Só depois tratar: desratização, obturação das passagens, manutenção das áreas envolventes. Por esta ordem.

O que há a reter

Ninguém deveria ter de escolher entre gostar de animais e viver num prédio sem ratos. As duas coisas são compatíveis, desde que se aceite uma ideia simples: não é o ato de alimentar que é problemático, é o alimento deixado disponível no chão, à noite, todo o ano.

Alimente os chapins de novembro a março, em altura, com um tabuleiro recuperador, e guarde as sementes num recipiente rígido. Alimente os gatos comunitários de manhã, sobre uma laje lavável, longe das fachadas, e retire as tigelas antes do anoitecer. Terá preservado o essencial do seu gesto e eliminado a totalidade da sua consequência indesejável.

Se o seu prédio sofre de uma infestação que não abranda no inverno, é o primeiro sítio onde olhar — muito antes das caves e das canalizações. Os nossos técnicos realizam sistematicamente este diagnóstico das fontes alimentares, porque um tratamento que não as ataque limita-se a adiar o problema por algumas semanas.

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